Diário da Toralei Oficial



                  Este diário pertence a:
                     Toralei
                               É melhor ter sete vidas se quiser ler meu Diário

Dois. Cinco. Julho.

Ooh, estão contando piadas de matemática agora…
P: Quantos gárgulas franceses cabem em uma circunferência?
R: Dois Pi-Erre!
Os nerds da matemática com quem estou presa neste ônibus acham que isso é
engraçado. Tão engraçado na verdade, que a harpia sentada à minha frente
espirrou leite pelo nariz quando escutou o final da piada. Eu não acho nem um
pouco engraçado. Eu preferia estar ouvindo as músicas que gravei no meu
iMonster, mas em menos de duas horas, nesta de nossa viagem de cinco horas
pra casa, meu iMonster morreu. Era pra ele ter durado a viagem toda, então é
de se imaginar que uma de minhas colegas de quarto do acampamento de
matemática "acidentalmente" tirou o carregador do meu iMonster da tomada na
noite passada, quando ligou a lâmpada de emergência dela. Eu nem sei por que
um fantasma precisa de luzes de emergência. Como assim? Ela tem medo de
tropeçar em alguma coisa no escuro? Eu percebi o que havia acontecido quando
acordamos esta manhã, mas nós tínhamos que sair cedinho, então não tive
tempo de carregar a bateria toda. Pelo menos eu tive bateria suficiente para me
isolar das duas horas dedicadas à cantoria de "X Elefantes Assassinam Muita
Gente". Como desgraça pouca é bobagem, os bancos deste ônibus só têm espaço
para dois monstros, e Meowlody e Purrsephone estão, é claro, sentadas juntas,
o que me deixou presa num banco junto com uma troll chamada Teala, que
nunca ficou longe de sua ponte por mais de um dia até vir para o acampamento
de matemática. Ela chorava até dormir todas as noites. Não que algum monstro
além de mim tenha notado, mas até aí eu sempre percebo tudo. Também
percebi que Teala também não estava dando risada de nenhuma das piadas de
matemática. Na verdade, ela parecia mais infeliz do que eu. Bem, eu pensava
que ela estava com saudades da ponte, mas se esse fosse o caso, porque ela não
parecia animada de voltar pra casa? “Desembucha,” eu disse. Ela se virou e
olhou pra mim por um momento, então voltou a olhar pra frente. “OK, então
guarde pra você,” eu disse, e tentei me encolher no banco para tirar uma
soneca, o que eu estava quase conseguindo fazer quando ela falou: “Meu
namorado terminou comigo... por mensagem de celular... na primeira noite do
acampamento de matemática.” Ela ainda não estava olhando para mim, mas
também não estava chorando. “Ele foi meu primeiro namorado de verdade e... e
eu não sei por que estou te contando isto porque você não parece se importar
com nenhum outro monstro além de você mesma, e você provavelmente vai
descobrir um jeito de usar isso para me deixar ainda mais infeliz.” Eu não
demonstrei, mas aquilo doeu de verdade. Só porque eu aprecio o caos de uma
boa traquinagem, não significa que eu sou intencionalmente cruel, não é? Eu
não acho que signifique. E, além disso, onde está a graça em derrubar um
monstro quando ele já está por baixo? É muito mais divertido ver a surpresa no
rosto de um monstro que acha que tem tudo sob controle e que você pode
"ajudá-lo". Então eu disse, “É melhor você me contar a história inteira para que
eu possa fazer meu trabalho direito.” Aquilo trouxe um sorriso sutil ao rosto
dela. Teala me contou que o ex-namorado dela estava se inscrevendo em
diversas faculdades e decidiu que precisava “deixar o leque de opções aberto”
para o caso de encontrar a sua “cara-metade intelectual” na escola. A princípio,
eu não acreditei que ele tivesse realmente escrito aquilo, então ela me mostrou a
mensagem. “Ele acha realmente que é tão esperto assim?” eu perguntei. Ela
meio que deu de ombros e disse, “Ele é assustadoramente esperto, mas não tão
bom em matemática quanto eu, especialmente com equações diferenciais.” Ela
me disse que ele realmente queria entrar pra essa faculdade porque o cientista
maluco dele ensina lá. Eu nunca ouvi falar da escola, mas sabia quem era o
cientista maluco porque o Sr. Corte nos fez assistir a um monte dos vídeos dele
na aula. Os vídeos eram mortalmente chatos, mas o cientista maluco tinha um
sotaque esquisito e um jeito de falar estranho. Eu costumava imitar a voz dele
na aula para dar uns sustos no Sr. Corte. Eu esperava até o Sr. Corte virar de
costas e gritava, “Cooorrtchee!!! Eeesshtaash aluuunooas voo-cêêei vaahi
liberraahrr iim-meh-dhiaatameintche!” Aquilo me valeu vários dias de
detenção e uma ida à sala da Diretora Sem-Cabeça da última vez que eu imitei o
cientista maluco, mas até o Sr. Corte admitiu que não conseguia ver diferença
entre a voz do cientista e a minha imitação. Conversamos sobre mais algumas
coisas e então Teala finalmente adormeceu. Eu finalmente consegui dormir
também, mas não antes de ter que escutar outra piada de matemática seguida
de uma rajada de leite vinda do banco à minha frente.

Dois. Oito. Julho.

Fui a MH para pegar algumas fotos que deixei no escritório do FearBook.
Quando terminei subi até a torre do sino. É um bom lugar pra ficar de olho nas
coisas sem outros olhos te observando. É também um bom lugar pra tirar uma
soneca. Geralmente o corcunda que toca os sinos trabalha lá, mas ele está de
férias este verão na França, ou algo assim, e tenho o lugar todo só para mim; até
a Spectra aparecer flutuando, atravessando as paredes. Ela se acha muito
furtiva, mas é quase impossível me bisbilhotar, e eu escutei o barulho das
correntes dela muito antes de ela de fato aparecer. Eu fingi que estava
dormindo por um momento e depois, com meus olhos ainda fechados, eu disse,
“O que você quer, Spectra?” “Oh! Olá, Toralei. Soube das novidades?” A
maioria dos monstros não confiam em nada do que escutam da Spectra. Mas eu
sou mais esperta. Há sempre um elemento de verdade nas "novidades" dela.
Você precisa saber como escutar. Aqui vai um exemplo: Spectra me disse que
ouviu falar que a Nefera está voltando para a cidade e vai substituir a Srta.
Kindergruber em Economia Doméstica. E não é só isso, mas também que a Srta.
Kindergruber vai deixar de dar aulas pra seguir a banda de rock favorita dela
pela estrada. Agora, por mais divertido que seja imaginar a Srta. K.
empoleirada em pilhas de amplificadores vestindo um colete de couro, bandana
e botas de bico de aço, isso não vai acontecer. Embora seja mais fácil a Srta K.
cair na estrada do que a ideia de Nefera "rebaixando-se ao nível" de dar aulas.
Tenho praticamente certeza de que em meio a essa mistura confusa de
informações, o fato verdadeiro é que Nefera está voltando a morar na cidade e
provavelmente mais cedo que tarde… Eis aí um monstro que gosta de chutar
alguém quando ele está por baixo.

Três. Zero. Julho.

Recebi um e-mail da Teala hoje, a troll com quem me sentei na viagem pra casa
do acampamento de matemática. Aparentemente, o ex-namorado dela lhe disse
que ele recebeu uma ligação do cientista maluco com quem ele queria ter aulas.
O cientista disse ao ex dela que as notas dele nos testes indicaram uma
“fffrraqueeeazha dhe habeii-lhiidhaadhesh hemm eiquaaaçõoensh dhiffffrrrenciaish"
e que o ex dela deveria encontrar alguém que fosse
intelectualmente superior e “toomaahrr u-mash auh-lhass". O ex dela tinha
certeza de que era o professor, já que "nenhum monstro conseguiria imitar
aquela voz." Ele também pediu desculpas a Teala por ser um imbecil arrogante
e perguntou se ela poderia lhe dar umas aulas de equações diferenciais. Teala
disse a ele que ela teria que ver a agenda dela. Às vezes é simplesmente
miauravilhoso o jeito que as coisas dão certo no final.
Um. Três. Agosto.
Comprei uma bolinha de pelo de dragão hoje para a Sweet Fang. É
praticamente o único material que é forte o suficiente para sobreviver a mais de
uma sessão de brincadeiras com ela. Não sei o que vou fazer quando Sweet
Fang ficar maior, porque eu provavelmente vou precisar do dragão inteiro e
não tenho certeza se mamãe e papai vão aceitar bem isso.

Dois. Cinco. Agosto.

M&P vieram em casa hoje. Elas são como minhas irmãs e não consigo imaginar
o quão chata a vida seria sem elas. Nós fazemos praticamente tudo juntas e
alguns monstros até pensam que somos parentes, mas não somos. Não que isso
importe, já que nós realmente não ligamos para o que os outros monstros
pensam de qualquer forma. Nós somos quem somos e qualquer monstro que
tentar nos domesticar é melhor estar pronto para um dia longo e infeliz. Hoje
não estávamos preocupadas com domesticação, hoje tivemos uma sessão para
levantamento de ideias. Nossa missão: dar o troco em Cleo de Nile e suas
asseclas por não apenas arruinarem nossa pegadinha de formatura
perfeitamente planejada, mas também por nos privarem de uma parte de
nossas valiosas férias de verão, "providenciando" nossa viagem para o
acampamento de matemática. Saber que foi Cleo que levou a melhor sobre nós
é quase tão irritante quanto cair na água ou pentear meus pelos ao contrário. Eu
não consigo acreditar que eu realmente a ajudei quando ela quis fazer parte do
time das Líderes de Torcida. Cleo não sabia nem como fazer uma parada de
mãos, muito menos um mortal! Então eu a tomei sob minhas garras e ensinei a
ela tudo o que eu sabia. Como eu faço ginástica desde o tempo em que eu era
um filhote, eu sabia muita coisa. Finalmente eu trouxe Cleo a um ponto em que
ela começou a pegar o jeito e, ao invés de ser uma responsabilidade, ela
começou a contribuir. Eu imaginava que, por todo meu trabalho duro e
liderança, Nefera me faria a capitã do time de Líderes de Torcida quando ela se
formasse. Só que ela não fez isso - ela entregou o cargo a Cleo. Eu ainda consigo
me lembrar do que ela me disse quando eu a confrontei: “Eu não queria que
Cleo conseguisse -- eu queria que ela fosse humilhada, mas já que você a
ajudou, vai ter que lidar com as consequências" Então Cleo agiu como se ela
sempre tivesse merecido ser a capitã e como se, automaticamente, ela soubesse
tudo o que havia para saber sobre liderar o time. Ela deveria ter mostrado
alguma humildade e cedido o lugar. Mas ela não fez isso. Agora cabe a mim
ensinar a ela algumas novas lições e mal posso esperar para as aulas
recomeçarem.

Três. Um. Agosto.

Vai haver uma chuva de meteoros esta noite, o que nos dará a oportunidade
purrrrfeita para praticar os três D’s. Distrair. Desenvolver. Despistar. Primeiro,
eu distraio a atenção de mim mesma - embora hoje à noite a chuva de meteoros
deva fazer isso por mim. Depois, eu desenvolvo uma "surpresa" para minha
aluna-vítima pretendida. E então, depois que o inesperado acontece, eu
despisto - “Minha nossa! O que aconteceu aqui?”
Mais tarde conto como foi.
...
Acabei estragando os três D’s esta noite, principalmente porque a chuva de
meteoros distraiu a mim! Era para eu encontrar M&P numa cafeteria perto da
praia - que é a única situação em que vou à praia, já que areia + água + pelos =
menina-gato infeliz - mas elas se atrasaram, então eu pedi um catpuccino e
aguardei. O dono apagou as luzes da cafeteria, e estava quase escuro quando o
céu começou a cair. As garotas apareceram bem quando, em algum lugar na
praia, um monstro começou a tocar violão, e eu disse, "Não é só porque temos
sete vidas que não podemos aproveitar esta.” E, naquela noite, aproveitamos.



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